Desde criança plantava em embalagens de margarina, plantinhas daquelas que crescem em qualquer lugar, achava que enfeitava além da casa, enfeitava a vida. Ao mexer com a terra, Jana, como era chamada carinhosamente por todos, sentia-se viva e o mais importante, esquecia das dores que lhe apertavam o coração.
Sua mãe nunca foi amorosa e seu pai não a considerava “problema dele”. Jana prestava somente para afazeres domésticos e para os cuidados com o irmão oito anos mais novo. O irmão, Jacó era o reizinho da casa, o filho tão esperado pelos pais, o assistido, o acarinhado e paparicado. Nada disso fazia com que Jana o detestasse, apenas lamentava por não ter tido a oportunidade de vivenciar o mesmo.
Aos dezesseis anos, Jana arruma o primeiro namorado. Fernando. O mais bonito entre os rapazes da escola, gostavam das mesmas bandas de rock, de praia e queijo assado. Compatibilidades que para uma mocinha apaixonada, eram evidências de almas predestinadas ao eterno amor. Namoraram por um ano inteiro sem uma só briga. Ambos tinham o prazer e o orgulho de comentar entre amigos. Assim que fez dezoito anos, Jana e Fernando foram morar juntos na casa dele. Jana achara que finalmente livrar-se-ia dos excessos de trabalho da casa e da indiferença dos seus pais.
Não foi fácil convencer os pais, quem cuidaria do Jacó, afinal? Tinha que levá-lo e busca-lo na escola, alimentação, banho, educação doméstica e colo no primeiro choramingo. Quem faria esse trabalho tão bem e de graça? Esta era a única falta que Janaína faria à sua família. Fernando, em reunião com os pais de Jana, comprometeu-se em deixar que ela cuidasse do irmão no período da tarde, esse foi o acordo.
Não foi fácil convencer os pais, quem cuidaria do Jacó, afinal? Tinha que levá-lo e busca-lo na escola, alimentação, banho, educação doméstica e colo no primeiro choramingo. Quem faria esse trabalho tão bem e de graça? Esta era a única falta que Janaína faria à sua família. Fernando, em reunião com os pais de Jana, comprometeu-se em deixar que ela cuidasse do irmão no período da tarde, esse foi o acordo.
O casalzinho acabara de sair do ensino médio, Jana foi ser dona de casa e continuou babá do seu irmão Jacó, já Fernando, prestou vestibular pela Universidade do Estado da Bahia, sempre fora seu sonho ser advogado.
A vida de Fernando era corrida, no terceiro semestre, já estagiava em um escritório importante da cidade, fazia pesquisa, estava crescendo intelectualmente, começando a carreira da melhor forma possível. Seu vocabulário havia mudado, não falara mais o dialeto local da Santa Mônica, estava estudando para ser chamado de doutor, só pensava/ falava em processo. Por outro lado, a vida de Janaína também mudara, já não cuidava do seu irmãozinho, pois os enjoos e o peso da barriga não lhe permitiram mais, fora o fato de ter adquirido hipertensão durante a gravidez.
Fernando e Janaína não tinham mais tanto assunto, já não era interessante saber sobre o que ela fez em casa ou o que aconteceu na novela da tarde, o sexo era cheio de cuidado por conta da gestação, isso não o atraía. A interação era possível apenas em função da bebê. Para alegria de Jana e certa decepção de Fernando, tratava-se de uma menina, Mariana. Jana guardara em seu coração o desejo de chama-la Melissa, nome da flor mais linda segundo ela. Janaína ama flores.
A família de Fernando exigiu que eles casassem antes do nascimento da criança. Às 13h do dia 13 de outubro de 2010, Mariana nasceu grande e forte de parto normal para alegria de sua família. Era unanimidade que não havia menina mais linda naquele bairro, a cara da mãe! Fernando nem lembrara mais que tinha predileção por menino, a alegria de um pai orgulhoso era nítido.
A vida seguiu, Fernando formou-se em direito, comprou uma casa no bairro de Piatã. Um conforto a mais para as suas meninas. Toda adaptação traz um pouquinho de sofrimento, no entanto, para consolo de Jana, a casa nova tinha um jardim, ela plantou maria-sem-vergonha e Jasmim, essas florescem o ano inteiro. Assim que Mari fez um aninho, Janaína entrou em um cursinho pré-vestibular, decidira ser arquiteta e paisagista. Contou a novidade para Fernando que adorou a ideia, a ajudou com tudo. Aquela decisão deu um upgrade na relação. Planos são sempre bem-vindos.
Jana seguiu em frente, conheceu pessoas, feminismos, formou-se, especializou-se, criou a sua filha para ser uma pessoa ética e independente. Foi traída, perdoou, viajou, aculturou-se e depois de muito tempo, separou-se.Fernando deu o divórcio sem criar problemas, amava a família, mas também concordava que não fazia mais sentido. Tornaram-se amigos. Jana namorou homens fascinantes, sentia-se livre, dona da sua própria vida, do seu próprio corpo. Aos 39 anos resolveu engravidar, desta vez estava a espera um menino e ela o chamou de Lírio, pois sabemos, Janaína ama flores.
13/12/2017

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